1.30.2009

6
Como misturar caixas multibanco, estudantes de medicina em fúria e calcanhares num só post.

Antes de tudo, quero apenas referir que este blog é um blog que está atento à actualidade.

"O Ministério da Justiça mandou retirar «de imediato» 32 caixas Multibanco existentes no interior de vários tribunais do país, na sequência de vários assaltos a caixas ATM."

Isto sim parece-me uma medida inteligente. Como se impede um assalto a uma caixa multibanco? Retira-se essa caixa multibanco. 100% de eficácia, coisa que poucas medidas anti-crime têm.

Além disso, e alertada pelo grande blog médico-informativo PdP, descobri a pólvora. Lá explosivo isto está. Chegámos à 3ª guerra mundial.
Entre os muçulmanos e o cardeal patriarca de Lisboa?
Não.
Entre o Sócrates e o tio?
Também não.
Entre o Quique Flores e o Reyes?
Não, mas podia ser.
Falo-vos da guerra entre estudantes de medicina que entraram cá e estudantes de medicina que foram para fora por não conseguir entrar, despoletada por uma recente iniciativa da Sra. D. Ministra da Saúde. Está assim lançada a guerra entre os chamados "elitistas" e os "meninos dos papás", cujo sangue eu tenciono ver daqui; matem-se e esfolem-se, que eu vou estar sentadinha no meu sofá com um pacote de pipocas na mão.


Mas o post idiota de hoje era apenas para referir que, não sei bem como, mas o meu calcanhar direito hoje estava todo lixado (como é que não havia de estar), pois fui a descobrir que abriu um buraco na palmilha e até no forro da minha maravilhosa All Star.
A questão fundamental que se impõe é:
De que cor era a All Star?
Preta, mas isso agora não interessa nada.
O que interessa é que o meu calcanhar abriu um buraco na minha sapatilha. Não sei como. Tenho um calcanhar poderoso. Agora com isto eu pergunto: o que raio fez o Aquiles para dar fama ao seu calcanhar? Ah pois é, por estes grandes mistérios da vida ninguém se interessa.
O calcanhar do amigo Aquiles é famoso porque levou com uma flecha. E o senhor deus grego morreu à conta disso (também devia ser fraquinho, este…). Ah pois é, o Aquiles é conhecido porque lhe foram ao calcanhar. Agora eu... é o meu calcanhar que é o protagonista, não porque é atingido mas porque atinge, é muito mais poderoso!

Tanta coisa para dizer que se soubessem da minha existência o calcanhar não seria o do Aquiles, mas sim o da Red. Sinceramente acho que o Aquiles não fez nada de especial comparado com conseguir fazer um buraco numa sapatilha através de uma palmilha e tudo.

E tenho dito.

1.25.2009

5
Eu juro que não sou obsessiva com o tempo, mas...

"DUBAI (AFP) — Quase 20 centímetros de neve cobriram neste fim de semana uma montanha dos Emirados Árabes Unidos, um fenómeno pouco habitual neste desértico país do Golfo.

Segundo a população,


o fenómemo é tão raro que no dialecto local não existe uma palavra para designar a neve"



Portugal já esteve coberto de neve. Agora até no deserto neva. E em Coimbra? Nada, pois claro.

Se não houvesse uma grande probabilidade de o meu pai ler isto, era agora que eu dizia uma asneira das feias.

1.21.2009

3
Como desenvolver a loucura e potenciar instintos sanguinários

Comece por praticar a arte da impaciência todos os dias. Seja ao perder o último autocarro ou pura e simplesmente ao deixar cair o trabalho de 200 folhas soltas que leva na mão. De preferência, folhas não numeradas. Pode sempre descobrir que o prazo que lhe tinham dito para entregar os seus papéis (seja um trabalho ou o IRS) estava errado; e que só soube disso depois de o prazo já ter passado.

Peça à câmara municipal que lhe coloque uma coluna mesmo em frente à janela do quarto a passar músicas natalícias e outras que nem tanto desde as 9 horas da manhã. Sobretudo aos fins-de-semana. Durante mais de um mês.

Em seguida, arranje vizinhos do lado com criancinhas. Criancinhas pequenas brincam e fazem chinfrim todo o santo dia que estão em casa. Mas, se quiser apostar em grande, arranje vizinhos com um bebé. Ou melhor, gémeos. Nesse caso, é provável que tenha a sorte de ouvir as criancinhas chorar noite e dia como se não houvesse amanhã ou não comessem há 15 dias. Caso não queira vizinhos do lado com criancinhas, pode sempre arranjar vizinhos do lado todos felizes e contentes que fazem com que os barulhos da cama a ranger se ouçam todos os dias em todo o prédio, sobretudo no seu apartamento.

Pode sempre tentar perder um comboio quando já está a chegar à estação. Para um sentimento de frustração máximo, deve conseguir carregar no botão para a porta abrir mesmo antes de o comboio começar a arrancar sem você. Pode ainda arranjar uma boleia imediata para a estação seguinte, e lá perdê-lo desta mesma forma. Nada como perder o mesmo comboio duas vezes no mesmo dia.

Falemos agora da sua casa. Nesta altura do campeonato, é de todo o interesse que more num andar alto. Tente guardar a vontade de ir à casa de banho para quando chegar a casa. E quando chegar à porta da entrada do prédio, perca-se a encontrar as chaves dentro da carteira. Quando encontrar as chaves da carteira, não deve conseguir abrir a porta à primeira. Depois de entrar, é de valor que o elevador esteja desligado. Com sorte tem de ir a pé uns quantos andares, a contorcer-se todo para aguentar a bexiga, e ainda carregado de sacos, saquinhos e saquetas, incluindo o saco de 5kg de areia do gato que você só aproveitou trazer porque tencionava ir no elevador.

Arranjar um vizinho que lhe atira piriscas de cigarro quando você vai a passar por baixo da janela dele também é capaz de ser irritante, sobretudo se andar de roupa clara. Isso e descobrir que a sua mãe pôs a sua camisola branca favorita a lavar com a camisola vermelha dela.

Outra ideia importante. Quando for para tomar banho, certifique-se que entra na banheira e se molha todo antes de descobrir que o gás vai abaixo e não se volta a acender. Ou então certifique-se que já está todo ensaboado antes de descobrir que faltou a água. Depois de já ter resolvido a situação e estar todo prontinho e confortável para abancar no seu sofá a ver aquele filme que estava à espera à não sei quantos meses, é bom que lhe dê a sede. Mas uma sede daquelas de deixar a garganta seca a implorar por água. Nessa altura vai ver que não tem água nenhuma na despensa. E da torneira não sai nem uma gota. De facto, a única água que tem são os 8 garrafões que estão na bagageira do seu carro. Olhe para a janela e vai ver um verdadeiro temporal na rua. E vai-se lembrar que teve de deixar o carro no Cu de Judas porque não havia lugar em frente ao prédio. Lembre-se sempre que, ou vai buscar os benditos garrafões e os traz para o seu andar a pé porque está sem elevador, ou é bem capaz de morrer sequinho à sede. É sempre bom lembrar estas coisas, para dramatizar mais a situação.

Tente também destruir coisas. Por exemplo, pode fazer com que a sua impressora se avarie de vez quando estiver de madrugada a meio de uma impressão fundamental para um exame no dia seguinte. Isso ou quando estiver a imprimir um trabalho fundamental para nota para o dia seguinte, também serve. Ou pode também fazer com que o seu computador pura e simplesmente se desligue e deixe de dar sinal de vida.

Mas eis a pièce de résistance: arranje uns vizinhos de cima que queiram fazer obras no apartamento. Mas obras à séria, daquelas que englobam arrancar chão e deitar paredes abaixo. Se tiver sorte que chegue, pode ser que comece a ouvir o barulho ensurdecedor de berbequins que mais parecem estar dentro da sua cabeça a partir das 8 da manhã. Se não se contentar, pode sempre pedir-lhes para começarem a martelar mais cedo. Descubra ainda que os moços das obras só fazem essa chinfrineira nas primeiras horas da manhã, e que durante o resto do dia ninguém os ouve sequer. Vai ver que se sente muito mais feliz por ter acordado com a sensação que o seu tecto lhe ia cair em cima. Eis que, quando pára o berbequim, começa a ouvir o som de água a pingar. Sem parar. Vai ver que dá em doido. Com o passar dos dias, verá que o som dos berbequins é tão impossível de aturar e perturbador que quando o ouve só lhe apetece chegar ao andar de cima, pegar no berbequim e furar o moço todo, começando pelo intestino e saindo no esófago.

Quando chegar a esse ponto, está prontíssimo para se tornar num psicopata.



P.S.: Nada disto alguma vez me aconteceu. Claro que não. Eu sou extremamente paciente.

1.09.2009

4
“Era um crepe com chocolate quente e chantilly e um latte macchiato, por favor”

Ok, o título era só para meter nojo porque foi o meu lanche. Do que eu vou mesmo falar é do frio.

Frio, aquele que deixou jovens e menos jovens sem aulas nalgumas localidades no país, que não foi o meu caso. Bem que a minha mão estava prestes a congelar quando estava a escrever no exame. Aliás, eu estava a ver quando é que os dedos rigidificavam e se esmigalhavam em cima da folha. É que escrever sobre Psicologia da Educação não aquece ninguém, não.

Mais uma vez neva em quase todo o lado. Em quase todo o lado menos em Coimbra. Acho até que podia nevar em todo o Universo e arredores que em Coimbra ia estar um frio de rachar e só de teimosia não nevava. Acho que a culpa de não nevar para estes lados é do José Cid com a sua belíssima composição “Cai neve em Nova Iorque, faz sol no meu país”. E como a Lousã é um caso à parte qual triângulo das Bermudas, aqui na serra também não neva; há fogo. É uma vila muito à frente.

Ora está um briol do caraças (e estou a ser meiguinha). E vale a pena dissertar sobre o frio quando chegamos ao ponto de pensar que se vão criar estalactites na ponta do nariz. Uma das melhores recomendações que vi em relação ao frio (além das camadas de roupa até se parecer com um chouriço) é… consumir chocolate. É verdade. Deu nas notícias e tudo! E não foi nas da TVI, por isso parece-me credível. Ora toca a enfardar milka para ter calorias que aguentem este frio de rachar. Eu cá faço o sacrifício mas acho que consigo viver com isso. O que tem de ser tem muita força. E por falar na TVI, essas grandes almas ontem mencionaram a terra em Portugal que registou a temperatura mais fria de sempre: 16 graus negativos há praí 50 anos onde onde onde? Em Miranda do Corvo, ah pois é. Não, não foi Miranda do Douro, disseram mesmo Miranda do Corvo. Acho que eles deviam querer dizer Miranda do Douro, mas não fui eu a única que ouvi. Essa grande terra onde neve nem vê-la, não sei onde raio foram eles buscar essa ideia. Claro que uma vez que é uma notícia da TVI havia a mesma probabilidade de eles dizerem Loulé; às tantas tiraram um lugar do mapa à sorte e calhou Miranda City que fica ali assim algures no meio do mapa. Antes calhar Miranda City do que calhar cocó como aconteceu ao Nuno Markl quando foi almoçar com o Bruno Aleixo. (e por falar no Bruno Aleixo, aconselho vivamente o sketch do Aleixo na escola. Lindo.)

Nesta altura de gelo, o conselho mais importante que dou é não fazer xixi na rua; pode congelar partes sensíveis e suponho que não seja bonito andar com uma estalactite pendurada no fecho das calças. Aconselho também a não se mexer em água, o que inclui não tomar banho, devido ao risco de formação de gelo (foi a protecção civil que disse!!! Que se ia formar gelo, não para não tomar banho.). Mas também não sei porque é que alguém se ia lembrar de tomar banho agora. O Natal já foi.

Se nevar eu regrido à minha infantilidade (vá, um bocadinho mais do que o normal) e vou lá para fora atirar bolas de neve a qualquer lado, pode ser? Aliás, pode ser que ande na rua a vizinha a mostrar a neve ao cachopo e assim na brincadeira e tal atiro-lhe umas boladas de neve porque o raio do puto chora de noite e de dia e eu já não o posso ouvir. Parece-me bem.

E pronto, foi mais um momento de serviço público.

1.02.2009

5
Happy new year (ou isso...)

E a minha resolução de Ano Novo é… ser menos ruim. Ou uma aproximação disso. (Se bem que a ruindade é parte de mim...)


Ora está visto que Deus castiga. Deus castiga com vómito e bolhas nos pés. Deus castiga com entrar na Emanha e não poder comer geladinho nem lembrar de levar para casa. Deus castiga. Deus castiga com contorções de dor à beira-mar.

(Neste fim de ano parte de mim ficou na Figueira da Foz… Literalmente… Nomeadamente, bocados de pizza do jantar e suco gástrico. E NÃO, NÃO bebi. Porra, nem deu tempo.)


Como Deus castiga, eu prometo que vou ser uma boa menina para o ano. Eu prometo. Vá, uma menina razoável já não era mau. Prometo que vou contar até dez antes de ter um impulso violento contra alguém que me pise. Prometo que vou morder a língua quando for para dizer alguma ruindade. Prometo… pronto, esse género de coisas. Prometo que não vou pôr as culpas no facto de que “toda a gente sabe que os escorpiões são o diabo em figuras de gente”.

E, para verem que não sou só de interesseirices (tipo “só te dou se me deres a mim”; excepto quando há milka em jogo), até paguei adiantado: ciclovia da Figueira até Buarcos a pé, descalça, às 3 ou 4 da manhã (sei lá eu, ia era a olhar para o chão para me desviar de cacos de garrafas de champanhe…) de botas numa mão e pão com chouriço na outra. Ou seja, a promessa está paga em adiantado.


Red, de ora em diante a carmelita descalça.



(E, com isto tudo, as coisas que quero para o novo ano são mesmo:
não ter bolhas nos pés
tornar-me case study por ter erradicado o herpes do meu organismo
Milka todos os dias
não pisar cócó
não levar com cócó de pombo ou qualquer outro animal em cima
que aqui a santa terrinha volte a ficar sem TVI para eu não adoecer mentalmente
que o Sporting gaaanhe alguma coisa (a começar por jogos)
que a música irritante dos happy tree friends saia da minha cabeça
quero uma dolce gusto. ou uma nespresso se for o george cloney a servir.
que abra uma Emanha em Coimbra (ou, quiçá, numa das lojas do meu prédio)
que não me volte a parar a digestão
que venham mais gambas nos pratos do chinês
que a minha mãe faça um Molotoff tão bom como o da minha tia
que os aracnídeos sejam exterminados num raio de 1 km à minha volta
não cair a correr para o comboio
....
e tudo e tudo e tudo.
Porque a vida se faz de coisas simples. E quem paga adiantado não é nada mal servido, não sejam aves agoirentas!)