6.26.2009

4
3ª posta de pescada do dia: chiça, que eu hoje estou-lhe a dar! E falo, falo, falo... Pronto, já chega.

1)

Mas falemos de coisas sérias. Como do cagaço que eu já apanhei hoje. Primeiro fui acordada pela minha gata. O que é uma coisa estranha visto ela não sair da cozinha sem eu a deixar. E não é que tenha sido exactamente acordada. Fui, digamos que.. Bem, dei um salto quando senti algo saltar para cima de mim. Depois ouvi passos no corredor. Outra coisa estranha visto eu estar sozinha em casa. Toda eu já ficava stressada, a pensar que raio é que andava praí. Até que ouço unhas na madeira. Aaaaaaah, evadiram-se os dois!

E porque é que é tão mau terem-se evadido os meus bichos, perguntam vocês? Pois que meu belo Snoopy tratou de ir marcar território para a sala. Acho que me faço entender.



2)

Uma vez que o meu karma andou muito estranho esta semana, e já que há vários planos que foram por água abaixo em apenas 4 dias, exijo um 18 por cada sardinha que eu não comi no grandioso S. João aqui da santa terrinha.

E olhem que costumam ser 4 sardinhas (aquilo é só ceia, malta, também não é para alarvices! E com a broa e o azeite e tal uma pessoa enche e pronto, eu sou menina de 3 ou 4 sardinhas…).

Visto eu ter 6 cadeiras este semestre, não era nada mau. Vá, S. João, toca a espalhar a tua magia.



3)

Epá eu tinha mais qualquer coisa estúpida para dizer, mas não me lembro. Vou apenas referir então que os meus olhinhos até luzem quando ouço a expressão "broca de osso". É uma coisa que me excita, portanto. NÃO NUM SENTIDO BADALHOCO. É num sentido puramente sádico. (o que é muito melhor, pois claro). Não sei se tem a ver com o facto de eu achar que todas as manchas vermelhas do Rorschach (sim, que também há rorschach a cores) hão-de ter a ver com sangue.

Ontem foi dia de trabalho árduo, pois que foi. E quando chega esta altura do programa de saúde oral (vulgo cheque dentista), até se me dão dores de barriga e de cabeça de manhã como presságio da tarde difícil que virá a seguir (não dão nada, mas podiam dar). Ontem ao fim do dia bem que já estava a benzer-me toda que todas as criancinhas vistas tinham sido pacíficas e fáceis de aturar e não havia mais criancinhas chatas na agenda e puuuff, fez-se o chocapic.

Mas uma pessoa não se pode rir muito. Pelo menos, muito tempo. Toda eu contente que o dia estava a horas e só faltava uma pessoa. Toda eu contente que as criancinhas abriram a bocarra e deu para eu aspirar tudinho sem ficar sem dedos.

Eia que chega o diabo em puto lá ao santo consultório. Uma emergência, diz a mãezinha. E os avós. E a irmã. Poi que quando vi o circo montado na sala de espera já devia ter adivinhado. Mas naaa, olhem para mim ingénua, que acredito nas pessoas. "É só uma coisinha, este dentito aqui, que está a abanar, é só tirar, só que ele não quer tirar sozinho, e como está a nascer o outro...". Criancinha gira até, um puto loirinho de 7 anos. Eu tenho uma queda por putos loirinhos e pronto. Lá entra o bicho para o consultório.

Sentar na cadeira calmamente?
Check.
Aceitar a ideia de que tem de se tirar o dente?
Check.
Aceitar mais ou menos que se tem de dar uma pica para lhe adormecer o dentinho (ai que paciência que aquele homem tem para aturar esta malta, chiça), que vai doer um bocadinho pouco e que depois já não dói mais nada?
Check.
Começar a dar a anestesia?
Check.
Dar a anestesia?
Check, com algum choro. Nada de estranho.

Então o que é que falhou aqui, perguntam vocês?

Eis que depois da anestesia (sim, depois de ela estar dada, que o puto já nem para deitar fora a água de bochechar acertava na pia) é que começa o berreiro. Berreiro daquele bom para animar a malta que está na sala de espera. Berreiro a sério. E eu ali ao lado, os meus tímpanos estiveram perto de chorar. E era pontapés na cadeira, e era "mas e dóóóói", e tudo e tudo e tudo que seja possível numa boa birra.

Ainda quase tive pena do puto, que todo ele tremia de nervos. Mas ai a porra, foi um momento de fraqueza e a pena passou-me logo. Era a mãezinha a segurar a mãozinha do menino para ele não ter medo. Era o médico a dizer que o pior já tinha passado. Era o avô, pior que um papagaio, a repetir o que o médico dizia. Era a mãe e sua cara de desespero. E mimo mimo mimo p'ra cima do puto. Nem a minha prima fala para o filho de 3 anos como a mãe falava para aquele diabo em figuras de gente. O puto puxava a tosse. O puto dizia que a gente o aleijava quando ainda estávamos a 1 metro dele. O puto bochechava para o chão. A mãe segurava no puto. A mãe segurava nos braços, o avô segurava nas pernas. Ai a merda. Já me estava a passar. Por trás do meu ar calmo estava a bela da vontade de dar uma chapada no puto, que se era para chorar ao menos que fosse com razão.

Era o médico a dizer que era mimo a mais. Era o avô a concordar que sim, que era mimo a mais, que já lhe tinha dito. E o médico dizia que ela só o estava a estragar, por mais bem intencionada que estivesse. E o papagaio lá dizia que sim, que estava a estragá-lo.

Bem, 20 minutos neste desespero. O dente já estava quase solto. Mas não deu p'ra mais. Desistiu o médico e desistimos todos, pois. Eis senão quando, para quem tinha dúvidas que era puro mimo e má educação, o puto salta da cadeira e se vai agarrar ao colo da mãe. E quando digo colo é mesmo colo. Um puto com 7 anos, quase maior que a mãe, que ela nem podia com ele. O médico fica de boca aberta. A minha vontade de dar uma chapada ao puto passa a vontade de dar uma chapada à mãe. "Colo? Colo?! Com esta idade?!! Pois como é que há-de querer fazer alguma coisa dele?!!!". E o avô só dizia que o mal foi ela entrar, que se o puto tivesse vindo só com ele fazia tudo e nem piava. "Sai do colo da mãe", não sei das quantas, dizia ela. Sai o tanas. foi o avô tirá-lo à força que o puto não largava. E mesmo quando saiu trouxe cabelo da mãe agarrado.

Dass!

Por favor espanquem-me com um pau cravado de pregos se me virem a fazer destas quando eu tiver um puto. Se me virem a ir pelo caminho do mimo ou de não lhe pôr os pontos nos "i". Pelo amor de Deus, vão à minha procura e espanquem-me até eu ganhar juízo. Que os putos de hoje são inaturáveis. E eu não quero que os meus sejam assim tão maus. God help me na árdua tarefa de os educar! Se as criancinhas saírem tortas das ideias, que não seja por falta de educação que eu lhes dê!


Fiquei traumatizada para o resto do dia. Para safar o ânimo na última consulta só uma coisa me podia animar: broca de osso. Era suposto arrancar uma raiz de um dente que aparecia no raio-x. Mas o dente, aliás, o que restava do dente, não estava na boca da senhora. Quer dizer, estar estava. Mas a coisa estava tão difícil que teve de ser tirado a ferros. E lá entra a broca de osso, querida amiga, companheira de arrancar dentes difíceis. Tirar osso à volta para a raiz poder sair, e pronto, foi um momento bonito, cheio de sangue, com pontos e tudo, e a única dor que a senhora levou para casa foi a sensação de que lhe tinham tirado o maxilar do sítio tal foi a força aplicada na sua boca.

Por isso foi bonito. Eu descarreguei o stress, a mulher não teve dores e pronto, saímos todos a ganhar.

4 Pessoas leram e ainda comentaram!

I. disse...

Era arrancar-lhe o dente ao estalo, que ao menos queixava-se com razão.
Apre!

Dy@ disse...

Ja te calavas ò moça xD
ha gente q ainda estuda sabe

xD

Red disse...

Drina vai mas é estudar que já meti água a falar para ti no msn e não eras tu que lá estavas!!!!

LP disse...

Agora não sei se hei-de de atribuir o prémio Ruim a ti ou ao sacana do puto... :)

(já só falta a aprovação de im para to entregarmos!)