6.19.2009

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Tardes de trabalho & Formigas no teclado - um novo musical? Podia ser.


Hoje o dia de trabalho foi bastante produtivo. E o resultado final da noite foi extremamente… animador, digamos!

Mais uma bela tarde de aspirações. E questões existenciais. Porque um consultório de dentista é quase tão bom (quase, malta, só quase!) como ir a um psicólogo ou a uma consulta de aconselhamento filosófico (sim, meu Deus, isso existe. Porque deve ser extremamente pertinente ensinar alguém a pensar coisas do género “Penso, logo existo. Batatas não pensam, por isso não existem”).

E hoje falou-se de muita coisa no santo consultório. Perguntou-se a todos os doentes o que era uma costeleta de porco mista, até alguém saber responder. Se bem que a resposta não foi completamente satisfatória. Mas vá. Se tivessem de ouvir a Rita Blanco volta e meio falar em costeletas mistas de porco iam compreender a razão da dúvida existencial. Mas nem só de costeletas mistas de porco vive um consultório de dentista (oh meu Deus. Tão mal que isto soa).

Também se falam de coisas pertinentes para a especialidade oral como, por exemplo, os implantes dentários. Eu cheguei à brilhante conclusão que uma prótese dessas de dentes todos de porcelana e afins é um óptimo mecanismo de reconhecimento. Quando as pessoas morrerem, e depois de só restar o pó e pouco mais, lá vão os familiares levantar as ossadas (ou o pó, vá, é o cenário mais provável) e lá se deparam com a brilhante dentadura branca do Paulo Portas. E deixam de se construir ossários para guardar os restos mortais para se passarem a construir dentários para guardar os dentes que sobrevivem até a uma era glaciar. Bonito. Toda uma nova era para os registos dentários.

Mas, passando à frente que atrás vem gente (ou não, não vem lá ninguém, lá estou eu com a mania da perseguição), ainda se falou do senhor Moniz e de tanto discurso para tão pouca candidatura. Fundamental para a vida da humanidade foi também a reflexão sobre o fim do Contacto: será que os concertos (boring) de música erudita que andaram a dar na 2 não sei quanto tempo no mês passado tiveram mais audiências do que o deprimente grande plano que fizeram da penca, digo, nariz da ti Maya algures esta semana e que me traumatizou para a vida quando fazia zapping para fugir aos exames? (perdoai-me, senhor – professor – não voltarei a fugir ao estudo!!!).

É que ele há coisas que realmente convém esclarecer num consultório de dentista!

Mas a tarde acabou mesmo a falar da minha mordedura aberta. Isso e por um bocadinho de tártaro em certo sítio se descobrir logo que eu durmo de boca aberta (calúnias, não durmo nada!!!). Mas vá, continuando, é sempre bom chamarem-me mordedura aberta. Já estou a pensar mudar de nick assim para uma coisa mais “true blood”, “crepúsculo” ou mesmo à velhinho John Carpenter, tipo mordedura aberta. Seria bonito. Poético, até. “Mordedura aberta”… uuuuh! (entoação “mufaça” das hienas do primeiro rei leão). Bem, adiante. Aqui a bela Red tem o maxilar um bocadinho para o desfasado e lembrou-se hoje, logo hoje, de fazer a brilhante pergunta sobre o que custava (e não em termos de dinheiro) pôr a dentadura toda nos trinques. Um aparelho daqueles todos armadilhados (literalmente até aos dentes) que custam os olhos da cara? Na, isso é para meninas. É só maxilo-facial. “Eu acho que devias fazer! Pensa nisso, a sério!”. E eu, parva, que gosto de saber as coisas, ainda perguntei como era. Ele bem não quis responder e eu, mais parva ainda, insisti. Consta que resulta em comer por uma palhinha durante um mês (já me estou a imaginar de cara de múmia com um buraquinho para respirar e para pôr a palhinha para a sopa, se bem que convinha respirar enquanto comia também, o que se tornava difícil se fosse só um buraco. Depois a sopa ia para o goto e era uma chatice porque tossir não devia ser muito agradável.). A questão é que, antes da palhinha, vem a rebarbadora. Passo a explicar para quem gosta destas coisas. Basicamente serram-me a boca abaixo do nariz (ao menos isso, narizinho querido), sacam o meu maxilarzinho amigo cá para fora (sim, todo cá fora. Mas isso não custa nada, afinal de contas está todo cá fora, não é…), tratam lá dele com os arranjinhos todos (vulgo escavacar e alinhar), põem-no no sítio outra vez e pronto, lá acabo eu toda ligada a comer por uma palhinha durante um mês antes de, por fim, pôr um aparelho, que depois já é coisa pouca. O que é um aparelho comparado com uma rebarbadora? (Depois já soube que há algumas que também se podem fazer dentro da boca, para não deixar cicatrizes. Mas a minha descrição é mais gira.)

E eu, mariquinhas pé de salsa, que me ando a esquivar à endoscopia há não sei quanto tempo porque eu sei que não vou asfixiar mas os meus reflexos não sabem, quero-me meter numa cena destas?! Ai Deus, dai-me juízo enquanto ainda é possível!



Ou seja.

Um post enorme sem nada só para dizer que, basicamente, me querem cortar a boca com uma serra.
Pronto, se é para me calarem escusam de ser tão violentos, eu paro..!


P.S.: Não escrevo mais porque há formigas no meu teclado. Sim, é verdade. Só a mim, realmente. Não, não comi cá bolachas na última semana. Só as comi na sala. Raio. Oh, queridas formiguinhas. GRRRRR.

Melhor desculpa do que “não fiz o TPC de português porque o meu cão comeu-me o livro” (e foi verdade, o cão comeu-lhe mesmo metade do livro de português) só mesmo “não escrevo mais porque há formigas no meu teclado”.

2 Pessoas leram e ainda comentaram!

RobertaFrontini disse...

Vou comentar no teu post, porque se não fica muito estranha a frase: 0 pessoas perderam tempo a ler e ainda comentaram.
Como e que 0 pessoas perderam a ler e no final ainda comentaram se não o leram..? lol

Bom, só para avisar que também me ando a esquivar a uma endoscopia (E NÃO A VOU FAZER)!! Por isso estou solidária contigo! :)

LP disse...

Eu, LP, já usei aparelho, mas não, não envolveu esse tipo de instrumentos; só os brackets, os arames e muito elásticos de cor!


Formigas? Louvadas sejam, que nos salvaram o dia! Ah ah aha ha