4.27.2011

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Como justificar um matricídio (ou "vê e aprende, oh tu que mataste a tua mãe porque ela era muito exigente contigo no teu curso de medicina -.-' ")


_ MÃE MÃE MÃE MÃE MÃE! Vai abrir uma Emanha em Coimbra!!!!!!
_ Já sabia... Mas não te quis dizer.

4.25.2011

1
É suposto eu estar em retiro para tratar da minha tese.




Eu disse "é suposto".

4.15.2011

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Ainda o meu pai...



Que escondeu um envelope em casa de forma a que não fosse tentado a ir buscá-lo...
... E agora já deu a volta à casa à procura e não o encontra em lado nenhum.

Mission accomplished, portanto.

4.13.2011

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Porque é que o meu pai é o maior:



  1. Porque é meu.
  2. Porque não se cala quando tem razão e não se coíbe de reclamar.
  3. Porque reclama com afinco.
  4. Porque se não está contente com a sua avaliação, não desiste e reclama fundamentadamente.
  5. Porque se o chefe não o ouve, reclama para a comissão.
  6. Se a comissão não liga, reclama para a directora.
  7. Porque quando reclama para a directora já tem preparado o possível recurso para a Direcção Geral.
  8. E sobretudo porque (la pièce de résistance!!), ainda que seja um homem sério, sóbrio e rígido, quando vai à reunião de avaliação que dá conta do resultado deste processo leva esta t-shirt vestida:




adenda: claro que fui eu que lhe dei a t-shirt.

4.09.2011

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Eu, sádica, me confesso:


Empunha a pistola, atira a matar e só acerta fatalmente em 6? A modos que é um atirador um bocado pró fraquinho...

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Voooooooooooou lembrar para sempre a noite de luar...


Consta que vai dar hoje no "Perdidos e Achados" na SIC uma reportagem que me faz, oh, ir buscar a cassete abaixo (uma cassete vermelha e preta, provavelmente a cassete mais gira que já me passou pelas mãos), com aquela capinha preta fofinha já meia descorada, e ver que ainda sei o raio das letras todas.

É que o crítico é que depois ouço Jason Donovan ou Fool's Garden na M80 e sai-me "sumo de limão" e "canções da chuva"...




4.08.2011

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Eu antes pensava que eu é que era uma anti-tripeira preconceituosa e não sei quê...



... mas epá, agora a sério, eu só vejo presos do FCP.

4.03.2011

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One penny for my thoughts.


Gosto dos meus óculos vermelhos, de morangos com chantilly, com açúcar, com leite, whatever. Idolatro ovos moles, barquinhas de ovos, hóstias, tudo o que tenha doce de ovos do bom. Sou uma verdadeira lontra, estou bem é a não fazer nada, mas também me farto depressa. Procrastino até não poder mais, funciono tão melhor sob pressão. Gosto de comida, oh, gosto tanto de comida!, mas ando fraquinha fraquinha, nem tenho desejos de Big Macs nem nada. Sou a encarnação do monstro das bolachas. Ninguém faz Molotof como a minha tia. Não gosto de chanfana mas ela é mesmo nossa. Gosto de gelados e crepes e chocolate. Tenho uma máquina de fazer waffles e uma Dolce Gusto que faz um belo nesquick. Comida e televisão, qualquer dia deixo de ser uma lontra esbelta para ser mais parecida com um leão marinho. Sei que Ele me ama quando me manda vídeos de lontras que passam o dia de barriga para o ar a brincar com pedras; eu também O amo quando lhe chamo urso e lhe digo para ir cumprimentar o familiar gigante que está no parque verde.

Gosto das minhas velhas all-star companheiras dos dias e dos saltos de 12 cm que só conhecem a escuridão da noite. Tenho uma t-shirt “eu amo você” pendurada ao lado de um vestido sério tipo saia e camisa. Sou de sapatilhas, mas quero arranjar o raio de um vestido de noite para o Baile de Gala. Tenho mais underwear do que roupa e vivo bem com isso. Sou do sol e a chuva que me desculpe, mas só é boa quando é dia de ficar na cama. Sou do calor, a minha temperatura corporal deve ser ligeiramente acima do normal, mas os meus pés são sempre icebergs mesmo no pino do verão. Os meus pés não são deficientes, são apenas uns pés de Cinderela fraquinhos. Tenho umas sabrinas vermelhas aos quadrados que não calço desde que caí a correr para o comboio com elas, em frente a meio mundo. Comprei outras sabrinas vermelhas na Zara Kids e disse que era para a minha irmã, mas eu não tenho uma irmã e da última vez que as calcei Deus deve-me ter dado cabo dos pés por causa disso.

Não sei tudo sobre os meus melhores amigos. Aliás, há muita coisa que não sei deles. Não sou a que melhor os conheço em termos de conteúdo, mas conheço-os perfeitamente na forma e é isso que no final interessa, o resto é só cusquice. Namoro há anos cujo número não deve ser pronunciado. Não sei tudo nem quero saber tudo, mas o que sei sei melhor. Adoro os meus bichos, devia ligar-lhes mais. São do mais esperto que há, mas isso todos os donos dizem o mesmo, assim como as mães, ainda que não seja tão verdade como isso – mas aqui é mesmo, a minha gata liga a televisão e tudo. O meu relógio biológico anda para trás. Criancinhas são pestes e bebés são “máquinas de fazer cocó”. Anyway, gosto de baby-grows azuis do super-homem, por isso os meus pais talvez não precisem de começar já a desesperar. Adolescentes dão-me vontade de distribuir chapadas. E todas as outras pessoas que têm a mania também.

Sim, sou uma quase-psicóloga, não, não sei o que vocês pensam. Sim, psicóloga forense, não, não sei porque é que o Renato Seabra matou o Carlos Castro ou porque o gajo de Coimbra matou a mãe. Sei que as coisas não são só preto ou branco, mas tudo o que eu sei a mais não me diferencia do que as outras pessoas acham que sabem sobre isso. Não, não vi demasiado CSI, sou um bocadinho anterior a isso. Quando quiserem insinuar que escolhi porque está na moda ao menos lembrem-se que sou mais dos tempos dos Ficheiros Secretos e sim, sempre quis ser uma Scully, autopsiar corpos de dia e autopsiar mentes à noite. Gosto da vida na prisão, fazem-me mais impressão os guardas do que os presos.

My brain beats my heart. As minhas vísceras pensam em cortar os órgãos genitais de um pedófilo às rodelas, o meu cérebro adora agressores sexuais. Tenho nojo de um anormal que manda piropos e é porco para as raparigas que passam na rua, mas de um violador tenho mais pena. Consigo empatizar com um homicida, mas salta-me a tampa quando vejo anormais na estrada a fazer as asneiras que mais tarde ou mais cedo vão pôr os outros em risco, e digo interiormente que desejo que marrem com a cabeça contra um poste. A tampa salta-me facilmente, portanto. Digo asneiras no trânsito, rogo pragas mentais a quem merece e oh, amuo tão facilmente, mas depressa desamuo também. Acredito no karma; não na doutrina, mas no “cá se fazem cá se pagam”. Mas passo a maior parte do dia a rir, faço uma piada de uma ocasião de morte e o meu sarcasmo é do puro. Não tenho perfil para mártir, tenho antes uns instintos um bocado sanguinários.

Falo pelos cotovelos desde a escola primária. Às vezes apetece-me dizer tudo mas não sai nada. Às vezes sai demais. Tenho saudades de ser a primeira da turma. Sou desenrascada. Sou mais triste do que o que os outros sabem. Sou tão inteligente como eles pensam. Sou menos culta do que o que eles acham. Já não sou uma sem-vergonha, já não digo tudo o que me vem à cabeça, o meu filtro eventualmente acabou por ligar; deixei de ser essa sem-vergonha no tempo em que comecei a corar na escola, e é por isso que sou a Red, as in redface, mas só Red tinha muito mais estilo. Não sou O Red, não sou do Benfica, não gosto de tudo o que seja vermelho como, por exemplo, pimentos, ou até o abdómen da assustadora aranha redback. Admito que as excepções não devem ser muitas. Há dias em que sou nerd, há dias em que sou geek, há dias em que vejo Anatomia de Grey. Não concordo com a teoria de que os “homens não ouvem nada e as mulheres não sabem ler mapas de estrada” – eu sei ler mapas de estrada. Sou muito má com nomes de pessoas, com ligações familiares, com esse género de associações, ainda que a minha memória visual seja espectacular. Ainda tenho alguma dificuldade em distinguir os lados, à vezes tenho de olhar para a mão que escreve para me lembrar qual é a esquerda. Dá três dias antes do Alzheimer. Sou um GPS, sou boa co-pilota, quero ser boa condutora como Ele. Sou boa faladora, talvez seja melhor ouvinte. Olha para o que eu digo, podes olhar para o que eu faço, mas não olhes para o que eu penso. Não é que não diga o que penso, mas às vezes não penso tudo o que digo.

Adoro viagens, mas mal saio do sofá. Gosto de conduzir. Tenho saudades de jogar monopólio, mas o antigo, aquele em que a nota mais alta era de 5000 e toda a gente queria a Rua Augusta e o Rossio. Aprendi poker de dados aos 6, poker de cartas aos 20. Está-se sempre a aprender. Tenho saudades das noites de jogo com os amigos. Sempre que digo A tupperware, Ele diz O tupperware, e podemos ficar nisto um bom bocado até arranjar maneira de O distrair. Eu gozo com Ele porque Ele até Curling vê, Ele goza comigo porque eu sou do Sporting. Vá, qualquer um pode gozar comigo porque eu sou do Sporting, faz parte da condição leonina esta veia de sofredora. Já fui mais vezes ao estádio da Luz do que ali ao estádio cidade de Coimbra. Em Alvalade nunca pus os pés, não sei se só porque não tenho companhias leoninas ou porque a ideia do fosso é um bocado assustadora. Sou tão anti-tripeira que até dói. É quase como aquele sentimentozinho de estimação pela malta do Miguel Torga, mas isso é a teoria da superioridade inerente a ser da UC. Epá tão nova e já finalista, chiça penico que o tempo passa depressa.

Às vezes acho que tenho piada, às vezes tenho mesmo. Às vezes o humor é inteligente, às vezes é sádico, às vezes é sarcástico, às vezes é puro, às vezes não é humor. Tenho um mau perder desgraçado, sou altamente competitiva. Às vezes acho que sei; quer dizer não acho, estou plenamente convencida, o que pode dificultar um bocadinho as coisas. Não é mania, às vezes as frases só me soam mesmo bem em inglês, não tenho culpa do meu cérebro ser bilingue. Tenho saudades de jogar à bola. Sou romântica às vezes, mas depois isso passa. Tenho a minha dose de insensibilidade. Farto-me depressa. Mas também sei ser uma resistente. Sou a que se borra toda com aranhas, mas tem a curiosidade mórbida de vê-las no Discovery Channel ao ponto de descobrir que as mígalas mudam de pele como as cobras, virando-se de patas para o ar enquanto o abdómen delas se contrai como um coração a bombear sangue e a pele se abre e sai dali uma aranha nojenta nova.

Eu sou aquela que canta desalmadamente Bonnie Tyler quando dá na rádio do carro. Sou a que põe os óculos aviador, dobra o braço como se com ele estivesse a segurar um capacete e canta take my breath awaaaaay na cantina. Ponho os óculos vermelhos e digo que tenho muita pinta. Ponho os óculos brancos e imito a Amália com um “obrigado, obrigado, meu povo obrigado”. Eu sou aquela que não bate nada bem da cabeça. Não bebo cerveja, não bebo vinho excepto sangria. Não gostar de bebidas com gás põe-me a jeito para Ele passar a vida a dizer “ai que pica na língua!”. Em dois anos soprei no balão duas vezes, uma delas ontem. Dá uma boa média. Em meio ano já tive um furo, um problema de motor, um pára-brisas trocado, um acelerador preso, e tudo se resolveu desenrascadamente. Gostava de apanhar o gajo que me roubou a protecção do vidro do pendura e dar-lhe com a outra pela cabeça abaixo.

My brain beats my heart most of the days. Sou fria. Não choro em frente aos meus pais a menos que tenha mesmo de ser. Sabe-me bem fazê-lo no peito dEle, ainda que seja um fardo demasiado pesado para Ele carregar. Sou uma pedra, sou um rochedo, aguento a tempestade como o farol aguenta as vagas no porto, até ao dia em que vem o tsunami e leva tudo. Mas tudo o que sobe também desce, e eventualmente a água regressa ao mar arrastando todos os destroços e os restos de uma vida que não voltará a ser a mesma. Sou uma pedra, mas tenho fendas, para bem da minha saúde mental. Sou uma pedra na maior parte dos dias, até àqueles em que não dá mais e me desfaço em pó inoportunamente. Não foi a mim que alguém tirou a vida mas foi a mim que a vida tirou alguém; não foi a mim porque eu continuo aqui e sigo para a frente que para a frente é que é o caminho. Tenho saudades que não passam e memórias de tempos que não voltam. Não tenho raiva, o meu luto fez-se bem. Aceitei, não pus em causa, mas nem por isso deixa de doer todos os dias. Passam os dias, passam as noites, and I’m happy as I could be, porque no meio disto tudo tenho sorte, tenho sorte de saber o que quero e quem me quer. Tenho sorte de ter o que muitos gostavam e não podem. No fim de contas e apesar de tudo,

O sol ainda brilha e a relva ainda é verde.