11.29.2011

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Pois pelos vistos anda tudo a arder.


Informa-me o Apêndice que parece que o Benfica lançou uma linha de preservativos.


Preservativos esses que me parecem mais as tampas das minhas cápsulas da Dolce Gusto, mas adiante.

Agora é que vão ser os 15 minutos à Benfica por esse país fora. Pobres namoradas/esposas de benfiquistas, já não chegava o conjunto bigode+fato de treino+meia branca no chinelo e ainda vão ver a coisa reduzida para 15 minutos.

Confesso que aquele "vai um dérbi?" vem no timing perfeito - se os verdes tivessem sabido disto mais cedo, provavelmente a coisa já não tinha pegado fogo...

Mas acho bem que lancem uma linha destas: assim como assim já há benfiquistas a mais, é melhor prevenir o avanço da espécie.

11.28.2011

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Eu era para vir aqui desenrolar um rol de coisas que se me tiram do sério, mas agora só se m'alembra...


... das claques. Nutro especial antipatia pelas claques tripeiras, mas o triste é que as outras estão no mesmo nível de animalice, sejam vermelhos, verdes ou de Guimarães. Porque há os adeptos normais, há os adeptos tendenciosos e há os adeptos tipo extremista - e são estes que constituem o sumo das claques, que parece que andam todas a treinar hooligans. Só tenho uma excepção a esta regra, que são os moços da Mancha Negra, que me parece terem uma menor concentração de bestas por metro quadrado - mas é tudo gente doida na mesma, não há grande dúvida quanto a isso. E não me levem a mal, eu até tenho um cd da Juve Leo, e sei que as claques são fontes de apoio e suporte fundamentais para os clubes, mas pois, nestes jogos e nas áreas de serviço a bosta é sempre a mesma, só o cheiro é que é diferente.

Para mim que, como vocês sabem, sou uma pessoa extremamente fofa e ponderada, a resolução da coisa era simples: ah e tal põem um estádio a arder? Era lá deixar fechados todos os energúmenos e, aí sim, esperar que ardesse. "Oh mãe mas eles fizeram o mesmo em Alvalade no ano passado e uma vez até mataram um adepto sportinguista com um very-light numa final da Taça e agora só me deixaram entrar a meio do jogo e não me deixaram ir fazer xixi e bateram-me quando eu não fiz nada e não havia lugar para todos na jaula e eu fui tratado como um animal" - e então pronto, como só temos 5 anos vamos ser animais a sério e mostrar as grandes bestas que há em nós e perder toda e qualquer hipotética razão que tenhamos, porque em vez de um cérebro para cabeça nos deram um isqueiro para a mão.

Eu cá também tenho instintos bastante sanguinários e vingativos. Sei que há uns quantos elementos da brigada do cacetete que estão mesmo mortinhos por lhes dar uso nestas situações, acredito que as declarações verdes pré-jogo foram parvas e só serviram para potenciar o lado animal da malta, admito que as condições não tivessem sido as melhores e acho inadmissível num jogo destes com todos os mecanismos e a segurança que implica haver uma falha na organização de ter gente a entrar ao intervalo - porque os bilhetes são baratinhos, né, e afinal eles nem querem ver jogo nenhum, só querem é fazer porcaria, pois, deve ser isso -, mas absolutamente NADA - nem os outros terem feito o mesmo, pois, que a arruaceirice é coisa que não escolhe clube, só claques - justifica aquele tipo de reacções que ei, vá-se lá saber, até são crime e vão resultar, entre outras coisas, em multa pesada para os cofres do clube que eles tanto dizem que amam (parece-me que eles se esquecem destes pequenos pormenores). Eu também tenho instintos, pois tenho, como tenho agora o instinto de achar que os que fizeram a bela proeza deviam arder lá todos, mas pois, entre o instinto e a acção há ali qualquer coisa chamada cérebro, que nestes pequenos arruaceiros deve ser coisa do tamanho de um amendoim.

E não haja aqui dúvidas que eu sou verde - verde, mais verde não há. Mas para animais gosto de cães e gatos, não de elementos de claques.


11.26.2011

2
A minha família é uma animação. Pois é.


A minha mãe é a rainha das calinadas. É. Mesmo. Não é por acaso que dá toda uma inspiração de diálogos brilhantes, como quando a tentei convencer que não, a equipa a quem ela estava a gritar GOLOOOO alto e bom som não era o Benfica, não, e Old Trafford não estava cheia de benfiquistas só por serem todos vermelhos, não, os do Manchester é que eram vermelhos também - she did not / oh yes she did. Ou como quando esteve uns 10 minutos ao telefone comigo a perguntar-me "bombas?!!" em altos berros enquanto ia no autocarro, enquanto eu lhe tentava explicar que era porreiro levar-me bongos para eu beber no hospital - BONGOS, MÃE, UMA FESTA DE 8 FRUTOS!! Mas pronto, mamãe ainda por cima está a ficar ligeiramente surda, o que potencia a coisa.

E depois temos o pai. O pai que faz grandes reportagens fotográficas, horas de filme de acontecimentos importantes, e vai-se a ver e só filmou pés. Ou só fotografou pés. Ou o céu ou qualquer outra coisa particularmente irrelevante. Porque estava a filmar quando achava que não estava e quando pôs a filmar desligou tudo. É o pai que anda numa de sair de casa e deixar as coisas ligadas, ou que prepara tudo para ir andar de bicicleta e quando está para sair de casa se esquece disso. É também o pai que acha que enormes tendas no meio da vila podem ser para pôr leões ou que diz a toda a gente no trabalho que tem em casa uns "bombardeiros" muito bons. Mas é o supra-sumo da inteligência e perspicácia - é, eu juro que é, embora às vezes não pareça: monta todo um computador, tudo no sítio - aparentemente - mas eis que o dito cujo não liga, mas que raio, desliga e volta a ligar, vira e revira, testa e retesta, até que desiste e lá leva aos profissionais do assunto "porque aquilo deve estar alguma coisa queimada ou estragada, está tudo ligado no sítio certo, já conferi!", até que alguém lhe pergunta "olhe, você ligou este fiozinho aqui...?". Mas também, o que é que se há-de esperar de alguém que deu voltas e mais a um telefone "estragado" - horas a queimar o fusível a tentar perceber o que tinha acontecido ao bicho - até o levar à loja e lhe dizerem que tinha posto as pilhas ao contrário.

Filha sofre, é o que vos digo.


ADENDA: liga fios, desliga fios, põe o ouvido à escuta e nickles - "mas isto não dá som!" ... "já experimentou ligar as colunas...?". True Story.

11.21.2011

4
De volta aos trHUCadilhos


Eu sei que deve haver gente com vontade de me espetar um catétér num olho com a história dos trocadilhos dos HUC desde este episódio relatado também aqui, mas já que o meu querido rim gosta mais daquilo que de batatas fritas não tarda eu faço mesmo aqui um marcador d'HUCaneco.

Desta vez resolvi lá ir passar um fim-de-semana. Pois que estamos novamente em Novembro, volta a estar frio e eu sei que aquilo lá é mais quentinho e deliro a ver toda a gente de sobretudo e cachecol na rua e eu lá nos trópicos de manga curta. A uma vida de dormir, ler, comer e voltar a dormir e ainda receber bolos (e romã descascada por mamãe! O que não é nada, visto que eu lhe fui esfregar os pés com creme quando ela lá esteve 15 dias no verão e isso ninguém merece) da malta que vai às visitas bem que o meu rim tem razões para se habituar. A hospedagem foi boazinha, obrigada, pois que até andei de cama e tudo por corredores do hospital, conheci um bloco periférico, havia alguns enfermeiros jeitosos e médicos também. Além disso tive direito ao mesmo quarto do ano passado e a algumas atenções extra, que isto da reincidência também tem as suas vantagens, como ficar com o lugar da janela.

"Mas então HUC'é que foi desta vez?", perguntam vomecês dois leitores e meio. Pois diz que se voltou a dar uma daquelas ao meu rim, outra pielonefrite, mais dores de morrer, qualquer coisa do género "as pessoas normais têm infecções urinárias normais, mas às pessoas especiais como eu a E.coli não se coíbe e sobe logo por ali fora direita ao meu menino". Ainda por cima, por contraponto a quem tem uma pedra no lugar do coração, eu tenho uns calhaus no lugar do rim; calhaus, senhores, calhaus, que parece que aumentaram 4x desde Março, os filhos da mãe. Pode ser que dê para montar negócio, isto dos calhaus da pedreira, quiçá serão valiosos. Se há diamantes de sangue, porque não haver diamantes de urina? Ou até mesmo rubis, que a coisa estava ligeiramente vermelhusca dada a sanguinheira desgraçada que prali ia.

Desta vez foram só 4 diazinhos mas chegou, lá volto eu com as veias desgraçadas e altamente traumatizada com a história dos catétéres na mão (MAS QUEM É QUE INVENTOU AQUELE MÉTODO DE TORTURA?!!!!) - por falar nisso, toda a gente a assustar-me com a ideia de um "duplo J" (algo que se me introduziram entre o rim e a bexiga e que se me obriga a fazer xixi de meia em meia hora - don't ask) e o raça do catétér na mão e no pulso custou 30 vezes mais, caraças - e carregada p'ra casa de contrabando de doces para pão e leites e bolachas maria (eu bem dizia que nada se perde, tudo se transforma).

Entretanto, devido à falta de paciência com estes ataques de vedetismo do meu querido rim, estive especialmente atenta às coisas que se me irritam lá no sítio, nomeadamente: tudo aquilo que me querem espetar (e não é coisa pouca); a senhora que grita todo o dia aparentemente sem grande razão e o senhor que tem um catarro que parece vir das profundezas dos antípodas; darem-me salada destemperada; haver televisão num quarto sem ninguém e eu nickles; as manhãs demasiado agitadas para quem quer dormir; o facto da feijoada ter, efectivamente, feijões (é que eu gosto do sabor daquilo, mas lá virem os feijõezinhos separados do arroz não se me apraz, que eu cá não vou lá a comê-los assim - e sim, servem feijoada no hospital e não é só à malta com prisão de ventre); não me deixarem dormir a sesta para me espetarem mais coisas; a televisão do quarto ao lado estar aos berros a passar ininterruptamente qualquer coisa entre a promíscua da popota, o anúncio do cd do David Carreira ou a versão irritante (se ouvida 1537 vezes) do "dream a little dream of me" da Aurea; fazer alergia aos pensos anti-alérgicos (que parece que me estão a arrancar a pele quando os tiram); fechar os olhos depois de três linhas de It porque me acordam às 6 da manhã para me espetarem; ir 349 vezes por dia à casa de banho; espetarem-me coisas, não sei se já disse.

Depois há sempre as análises sociológicas que me deixam dores mas é de rir, como a vez em que papai carrega no botão para chamar um dos elevadores, mas esquece-se de ver qual é e anda a correr de elevador aberto em elevador aberto ("quando mais nada funcionar, leia o livro cartaz de instruções que está afixado ao pé dos botões"), ou quando eu demorei 15 minutos a tentar explicar a mamãe por telefone que queria que ela me levasse bongos, e não bombas (lá tive de fazer referência ao bom sabor da selva para ela lá chegar, e eu que nem sou dessas pessoas com vontades destrutivas contra o hospital, ainda que me tenham acordado às 6 da manhã e espetado a mão).

Mas pronto, já estou de volta ao meu sofá e mais ou menos fina, salvo não saber onde enfiar 3litros de água por dia, que acho que estou a caminho de me tornar uma torneira ambulante a libertar xixi de meia em meia hora.

Uma viagem de volta ao mesmo sítio (15-dias-antes-de) um ano depois, heim, se não é d'HUCatano...

11.17.2011

2
Às vezes questiono-me sobre a minha sanidade mental...

... Sobretudo quando venho conduzir e dou por mim com o rádio mais de 5 segundos no André Sardet sem mudar de estação.

Mas depois apanho Eye of the Tiger (ou Bonnie Tyler ou Abba, também servem para o efeito) na M80 e começo a cantar desalmadamente e então apercebo-me que naaa, está tudo normal, foi só uma ligeira distracção e todos temos direito a desperdiçar 5 segundos por dia.

11.16.2011

0
Coisas que eu já não devia dizer em público agora que sou psicóloga #1

Um ritualzinho de verificação nunca fez mal a ninguém.

Ah e tal porque a perturbação obsessivo-compulsiva é uma doença que causa sofrimento e dificuldades no funcionamento interpessoal, e os rituais que essas pessoas usam reforçam e mantêm esses comportamentos e blá blá blá whiskas saquetas.

Pois está bem. Mas se há problema que essas pessoas certamente não terão é esquecer-se da torneira do lavatório aberta e da televisão ligada durante todo o dia quando estão para trabalhar, como papai. Um ritualzinho por dia nem sabe o bem que lhe fazia.

11.14.2011

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Birthdays are good for you. Statistics show that the people who have the most live the longest.


Ena ena, sub-23!


11.09.2011

3
PÁRA TUDO!

Carolina Salgado desvenda, no seu segundo amontoado de folhas livro, plano secreto para matar a águia do Benfica!

(ler isto com a voz séria mas entusiástica dos anúncios idiotas "Saiba tudo na Lux!" que passam na rádio)


Ora isto vai dar um best-seller, certamente, e eu tinha de partilhar que, qual Duarte Lima qual quê, isto sim é investigação criminal. Mas, mudando de assunto, ai, é que uma pessoa aqui a definhar no sofá dia após dia entre Stephen King e Sete Palmos de Terra até vai pensando: "Bolas, eu devia escrever qualquer coisa no estaminé, que não tarda crescem lá silvas e tudo, mas com esta vida de lontra nem sequer tenho grandes motivos de inspiração". Bem, é verdade que eu já não estou no centro da acção, que é como quem diz, na cadeia (oh, ainda lá houve um motim há tão pouco tempo, bateu-se-me cá uma saudade...), mas também uma pessoa para ter fonte de inspiração de idiotice só precisa de ligar a televisão e pensar outra vez, que há toda uma série de pérolas que podem ser aproveitadas. Como a inteligência do senhor que conduzia um dos únicos 3 carros Aston Martin daquele modelo no seu país (e que, portanto, será muito difícil de identificar pelas autoridades - not) e que se divertiu a conduzi-lo a quase 300km/h numa auto-estrada enquanto era filmado por um amigo que partilhou esse feito na internet. (Se a curiosidade matou o gato, o ego matou o homem, claramente). Ai, a televisão, que nos incita a fazer, por exemplo, análises sociológicas das pessoas que ligam para aqueles programas tipo opinião pública e depois gritam ao telefone coisas como "este plano de destruição massiva dos transportes públicos não é novo, quando chegou ao governo Adolf Hitler fez o mesmo, Pinochet fez o mesmo!". (Bem, eu cá era capaz de jurar que os alvos de destruição maciça do Hitler não eram exactamente os transportes, mas mais alguém que ia dentro deles. Mas isso sou eu que ainda acredito naquelas coisas do, ai como é que se chama, aquilo, que há gente que já nem dá nas escolas, ai porra, ajudem-me, aquela história de irem comboios de carga apinhados de gente para despejar em campos de concentração, chiça está debaixo da língua, o Holocausto!, pois, esse. (Btw, quando eu for grande hei-de ler o Mein Kampf))

Bem, tudo para dizer que estou viva sim, que a televisão o ser humano é, sem dúvida, um bicho inspirador, que vou na página 571 do It e nem a meio a coisa está e que a melhor coisa a fazer para não adormecer numa viagem de carro de volta para casa às 2h da manhã é ter a rádio na M80 e cantar desalmadamente Eye of the tiger. Aaai, juntar a Carolina Salgado, Aston Martins, o Hitler, os palhaços demoníacos do Stephen King e banda sonora de Survivors no mesmo post... Não é por acaso que há para aqui uma etiqueta que diz "idiotice aos cubos".



11.02.2011

2
Sabes que estás há demasiado tempo em casa quando...


... muda a hora e tu acertas o relógio que já tinha sido acertado e consegues andar uma hora atrasada o dia inteiro, até à noite, sem te dares conta.

11.01.2011

01/11

Alma minha gentil, que te partiste
Tão cedo desta vida, descontente,
Repousa lá no Céu eternamente
E viva eu cá na terra sempre triste.
...
E se vires que pode merecer-te
Alguma cousa a dor que me ficou
Da mágoa, sem remédio, de perder-te,

Roga a Deus, que teus anos encurtou,
Que tão cedo de cá me leve a ver-te,
Quão cedo de meus olhos te levou.


LC