11.21.2011

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De volta aos trHUCadilhos


Eu sei que deve haver gente com vontade de me espetar um catétér num olho com a história dos trocadilhos dos HUC desde este episódio relatado também aqui, mas já que o meu querido rim gosta mais daquilo que de batatas fritas não tarda eu faço mesmo aqui um marcador d'HUCaneco.

Desta vez resolvi lá ir passar um fim-de-semana. Pois que estamos novamente em Novembro, volta a estar frio e eu sei que aquilo lá é mais quentinho e deliro a ver toda a gente de sobretudo e cachecol na rua e eu lá nos trópicos de manga curta. A uma vida de dormir, ler, comer e voltar a dormir e ainda receber bolos (e romã descascada por mamãe! O que não é nada, visto que eu lhe fui esfregar os pés com creme quando ela lá esteve 15 dias no verão e isso ninguém merece) da malta que vai às visitas bem que o meu rim tem razões para se habituar. A hospedagem foi boazinha, obrigada, pois que até andei de cama e tudo por corredores do hospital, conheci um bloco periférico, havia alguns enfermeiros jeitosos e médicos também. Além disso tive direito ao mesmo quarto do ano passado e a algumas atenções extra, que isto da reincidência também tem as suas vantagens, como ficar com o lugar da janela.

"Mas então HUC'é que foi desta vez?", perguntam vomecês dois leitores e meio. Pois diz que se voltou a dar uma daquelas ao meu rim, outra pielonefrite, mais dores de morrer, qualquer coisa do género "as pessoas normais têm infecções urinárias normais, mas às pessoas especiais como eu a E.coli não se coíbe e sobe logo por ali fora direita ao meu menino". Ainda por cima, por contraponto a quem tem uma pedra no lugar do coração, eu tenho uns calhaus no lugar do rim; calhaus, senhores, calhaus, que parece que aumentaram 4x desde Março, os filhos da mãe. Pode ser que dê para montar negócio, isto dos calhaus da pedreira, quiçá serão valiosos. Se há diamantes de sangue, porque não haver diamantes de urina? Ou até mesmo rubis, que a coisa estava ligeiramente vermelhusca dada a sanguinheira desgraçada que prali ia.

Desta vez foram só 4 diazinhos mas chegou, lá volto eu com as veias desgraçadas e altamente traumatizada com a história dos catétéres na mão (MAS QUEM É QUE INVENTOU AQUELE MÉTODO DE TORTURA?!!!!) - por falar nisso, toda a gente a assustar-me com a ideia de um "duplo J" (algo que se me introduziram entre o rim e a bexiga e que se me obriga a fazer xixi de meia em meia hora - don't ask) e o raça do catétér na mão e no pulso custou 30 vezes mais, caraças - e carregada p'ra casa de contrabando de doces para pão e leites e bolachas maria (eu bem dizia que nada se perde, tudo se transforma).

Entretanto, devido à falta de paciência com estes ataques de vedetismo do meu querido rim, estive especialmente atenta às coisas que se me irritam lá no sítio, nomeadamente: tudo aquilo que me querem espetar (e não é coisa pouca); a senhora que grita todo o dia aparentemente sem grande razão e o senhor que tem um catarro que parece vir das profundezas dos antípodas; darem-me salada destemperada; haver televisão num quarto sem ninguém e eu nickles; as manhãs demasiado agitadas para quem quer dormir; o facto da feijoada ter, efectivamente, feijões (é que eu gosto do sabor daquilo, mas lá virem os feijõezinhos separados do arroz não se me apraz, que eu cá não vou lá a comê-los assim - e sim, servem feijoada no hospital e não é só à malta com prisão de ventre); não me deixarem dormir a sesta para me espetarem mais coisas; a televisão do quarto ao lado estar aos berros a passar ininterruptamente qualquer coisa entre a promíscua da popota, o anúncio do cd do David Carreira ou a versão irritante (se ouvida 1537 vezes) do "dream a little dream of me" da Aurea; fazer alergia aos pensos anti-alérgicos (que parece que me estão a arrancar a pele quando os tiram); fechar os olhos depois de três linhas de It porque me acordam às 6 da manhã para me espetarem; ir 349 vezes por dia à casa de banho; espetarem-me coisas, não sei se já disse.

Depois há sempre as análises sociológicas que me deixam dores mas é de rir, como a vez em que papai carrega no botão para chamar um dos elevadores, mas esquece-se de ver qual é e anda a correr de elevador aberto em elevador aberto ("quando mais nada funcionar, leia o livro cartaz de instruções que está afixado ao pé dos botões"), ou quando eu demorei 15 minutos a tentar explicar a mamãe por telefone que queria que ela me levasse bongos, e não bombas (lá tive de fazer referência ao bom sabor da selva para ela lá chegar, e eu que nem sou dessas pessoas com vontades destrutivas contra o hospital, ainda que me tenham acordado às 6 da manhã e espetado a mão).

Mas pronto, já estou de volta ao meu sofá e mais ou menos fina, salvo não saber onde enfiar 3litros de água por dia, que acho que estou a caminho de me tornar uma torneira ambulante a libertar xixi de meia em meia hora.

Uma viagem de volta ao mesmo sítio (15-dias-antes-de) um ano depois, heim, se não é d'HUCatano...

4 Pessoas leram e ainda comentaram!

Pusinko disse...

Acho que nunca comentei o teu blog, mas desde que o descobri no início do ano que sigo cada post.
Sou uma leitora assídua. Posto isto, tens apenas 1 leitor e meio que não saberás paradeiro.

As melhoras pra esse rim e pró resto do corpo à volta dele, que no fim de contas, pagam todos pelas manias de um.

Izzie disse...

Tu trata bem desses rinzinhos, e olha lá a alimentação! Qualquer dia tens uma pedreira nos ditos.
Beijinho de melhoras!

Escrita Online disse...

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Boa sorte!

Dryn@ disse...

ó mulheri o q interessa e q ja tas em casa, ja nao tens de levar com as coisas más... xD
Mas mas q tu gostaste da feijoada té gostaste xD