4.27.2012

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O apêndice dizia que era o Herbie, mas eu cada vez mais acho que é um Christine...*


Vocês chegam à vossa rua às 23h30, estacionam o carro, fecham tudo e vão para casa descansados. Vêem um bocadinho de TV, entretêm-se e vão para a cama. E por volta das 2h da manhã, quando não há vivalma na rua, começam a ouvir um apito contínuo.

Será um alarme? Serão os bombeiros? Será o super-homem?

Levantam-se para ir à janela ver do que se trata. Mais do que um apito ou alarme, começam a perceber que parece uma buzina de carro. 

Mas não há ninguém na rua...

O estacionamento está cheio de carros e o barulho vem de lá, um som de buzina forte e incessante, ainda que não se consiga perceber exactamente de onde. Não há ninguém nos carros. Nem nas janelas a espreitar, aparentemente. A rua está o mais calma possível, à excepção daquele som intenso e contínuo que atravessa a noite. Durante mais de 10 minutos tentam descortinar de onde virá. Apercebem-se de um vizinho que desce à rua para verificar se é o seu carro, mas não vêem mais movimentações. O barulho não pára e pouco fraqueja, mesmo depois desse tempo.  

Mas como é que é possível? Não pode ser, não há ninguém! Será o meu carro? Pode ser qualquer um...  Será o meu..? E se for o meu? Naaa, não é possível, não está lá ninguém, eu saí do carro há mais de duas horas, como é que ele ia começar a apitar sozinho... Ele já apitou sozinho mas era comigo lá, que ficou com a buzina presa, agora assim... Naaa, não pode ser...

Na indecisão, o Apêndice toma a iniciativa e desce para verificar de onde vem o som.

E agora adivinhem qual era, precisamente, o carro que começou a apitar sozinho às 2h da manhã de um domingo/segunda-feira com uma bela intensidade durante mais de 15 minutos.

Pois.

Esse mesmo.

O meu.

Lá foi o apêndice ao ferrari e bastou abanar um fiozinho de nada depois de abrir o capot para a coisa se calar.

Excusado será dizer que, definitivamente, a minha máquina infernal passou de Herbie a Christine

Está vivo. E eu comecei a ficar com medo de lá entrar e ser engolida pelo banco, atacada pelo volante ou estrangulada pelo cinto. Ou qualquer coisa do género.



* No seguimento disto

4.22.2012

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A culpa foi do GPS (ou "às tantas é por estas e por outras que de Bragança a Lisboa são 9 horas de distância...")


Ora bem, nos passados dias a minha pessoa fez-se à estrada, juntamente com dois belos pares de jarras (gosto muito de vocês, meninas), na sua primeira viagem à capital realizada ao volante. A minha experiência de condução em Lisboa era nula e, fora a condução, só conhecia caminho ali para a zona da 2ª circular ou do Parque das Nações. Mas pronto, munidas de um belo e brilhante sentido de orientação e de um telemóvel com GPS mas sem bateria, lá seguiram estas três tristes tigras de Coimbra City rumo à Travessa da Glória, numa viagem nocturna.

A coisa à entrada em Lisboa correu bem. À parte a selvajaria habitual dos automobilistas, seguimos facilmente desde a saída da A1 ali até à Fontes Pereira de Melo (ainda que tenhamos dado uma volta ou outra à Praça de Espanha e feito algumas inversões de marcha na Av. António Augusto de Aguiar, tudo culpa de um GPS que nos mandava seguir para sítios para onde aparentemente não podíamos - ou afinal até podíamos, constatação sempre posterior a ter saído da estrada principal).

Mas vá, após 5 minutos ali às voltas só para dar emoção à coisa, lá chegamos à Fontes Pereira de Melo. Relembro que o nosso destino era a travessa da Glória, logo ali pertinho dos Restauradores, mas, não seguindo pela saída que o GPS mandava porque aparentemente era para o bus e oh, afinal não era, vá lá uma pessoa ligar às marcas do chão!, acabei nem sei bem como por meter-me no túnel do Marquês ainda antes de chegar à rotunda. Ora e que coisa espectacular é que acontece nos túneis? O GPS perde sinal.

Então uma pessoa acaba por seguir o túnel até ao fim, ali entre a desorientação e a vontade de atirar o telemóvel pela janela. E até a coisa se organizar e se perceber que se enganou e que quer voltar para trás, não querendo sair em nenhuma saída que diga "A-qualquer coisa" antes que se meta em troço de auto-estrada e depois é um sarilho, segue Maria Joaninha, segue segue, até surgir o pânico de ver aquela bonita placa azul que diz "bem-vindo à auto-concessão da Lusoponte", e aí já não há GPS que acuda.

"Lusoponte...? Lusoponte... Mas isso é..."

(e começa a ver-se isto ao longe, a aproximar-se casa vez mais...)


(até se tornar nisto...)


 ... Mais ou menos ao mesmo tempo em que a pendura descobria que tínhamos acabado de ficar sem quarto. Um momento espectacular, portanto: uma pessoa em direcção à margem sul, tarde e a más horas, sem jantar e sem quarto. Mais uma iniciativa para tornar a viagem emocionante.

Lá saímos da ponte, andámos um bocado até termos a primeira possibilidade de voltar para trás em direcção a Lisboa e seguimos, pia fora, em profundo stress e com o estômago a roncar, sem sequer conseguirmos apreciar a vista nocturna da ponte sobre a capital. Vá que, com a ajuda do GPS-grevista-em-túneis, daí até ao Marquês foi um instantinho, só o tempo de eu dizer "ao menos não tive de me ir meter na rotunda do Marquês, tudo menos isso" e acabar por ir mesmo lá parar (e mais 3 vezes durante a estadia...), seguindo para a Avenida da Liberdade, finalmente, com a vontade de cortar os pulsos inerente à percepção de que tinha estado a menos de 50 metros daquela rotunda antes de entrar por engano no túnel e ter ido dar uma volta de, segundo o Google Earth, uns belos 20km.


A vermelho, o caminho que fizemos.
A verde, o que deveríamos ter feito.
Não sei como é que os meus pulsos resistiram a essa noite.

Mas as aventuras não ficaram por aí. A coisa até correu bem durante a estadia, parámos o carro sugadito num local perto da pensão e de estacionamento não pago (YEI! conseguido depois de andarmos às voltas à procura durante bem mais de meia hora), andámos de transportes públicos pela cidade, fizemos turismo gastronómico (dos meus favoritos), fomos de carro sem incidentes até Paço de Arcos assistir ao 5 para a meia noite e conseguimos o mesmo estacionamento à borlix quando voltámos, deixando de novo o carro parado e descansado até à hora de partida, hora essa de destino ao CCB, onde tínhamos estado nos últimos dois dias.

Mais uma vez, o telemóvel com pouca bateria a servir de GPS. Ainda não referi aqui, porque não foi o caso do primeiro engano que descrevi, mas o meu querido NDrive às vezes bate muito mal e manda-me para o sítio certo na localização errada, o que eu contorno a confirmar o roteiro e tirar pontos de referência. Pois confirmo. Quando a bateria do telemóvel não está nas últimas e eu não estou a rezar para o GPS se aguentar ligado.

Ora mas, dizia eu, pretendíamos ir a caminho do CCB, e para onde é que o dito cujo me manda? Para a direcção exactamente oposta, com direito a passagem na Luz para alegrar uma das viajantes e mesmo coladinho a Alvalade para alegrar esta lagartela e a sua pendura.


Portanto, mais uma vez, foi basicamente isto:
A verde: o caminho que devíamos ter feito.
A vermelho: o caminho que fizemos.

Só ressalvar que deixámos por fazer mais uma paragem do nosso percurso gastronómico para não nos atrasarmos para o que tínhamos a fazer no CCB. E chegámos atrasadas na mesma. Ora nem turismo gastronómico nem primeira parte do evento. Mas vá, aproveitámos para ir aos pastéis de Belém, que não ficam assim tão à frente das natas aqui da santa terrinha (as da Pingo de Mel, óbvio), e a aventura acabou por acabar (que pleonasmo magnífico) pacificamente, com um regresso a Coimbra sem percalços e com uma t-shirt Super do 5 para a meia noite na mala.


4.01.2012

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Não temam, ainda estou viva. Não sei bem como, mas estou.


E quando não se morre do mal para se morrer da cura? Pois.
Eu cá resisti a Óbidos. Não morri disto



nem disto



e disto também não.




Mas ontem ia morrendo disto



que, segundo o google earth, foram 15 km a fazer a "Volta a Miranda City (e arredores) em bicicleta".

Ora eu, lontra convicta e assumida, resolvi que, agora que está um tempo fofinho e tal, está na altura de largar o sofá e mexer-me algo mais do que os 7 ou 8 metros entre a cama e o sofá, antes que o colesterol se me entupa as artérias.

Além disso, já me sentia mal de ter a minha querida Órbita, companheira de todos os dias da minha saudosa infância e vá, princípio de adolescência, a ganhar pó na arrumação de papai, sem lhe pegar há sei lá quanto tempo. Quer dizer, até sei mais ou menos quanto tempo (mais de dois anos ou assim): a última volta que dei foi uma célebre volta em que, algures no regresso, papai sai na cortada errada e depois para quê travar e voltar para trás, oh, os travões são para meninos salta da bicicleta em andamento. Sim, é do conhecimento geral que isso de parar é para cócós: os verdadeiros profissionais saltam da bicicleta e atiram-na com o caraças (eu provavelmente faria isso se me aparecesse algum aracnídeo no guiador). Eu e o Sócio estivemos ali uns 10 minutos sem conseguir parar de rir; até foi bom para os abdominais, que foi mesmo até doer a barriga. Mas eu, como aprendo rápido, interiorizei logo a importância de não usar os travões para não os gastar e depois, estando parada ali algures numa subida no meio do mato, esqueci-me de travar e desci de costas até bater num pinheiro. As nossas voltas de bicla eram autênticas aventuras. Ontem mesmo ia sendo atropelada por papai, que resolveu virar na minha direcção umas duas vezes.

Mas estava eu a dizer que não morri com uma overdose de chocolate no outro fim-de-semana, mas estou aqui morta de todo da volta de ontem. A sério, quem é que põe uma lontra que mal sai do sofá a pedalar 15km em duas horas? Logo nos primeiros 50 metros vi o caso muito mal parado, que se me começaram a dar umas dores nas pernas um bocadinho agrestes. O apêndice, com enorme fé, dizia-me que se eu conseguisse dar a volta ao quarteirão já não era mau ("Fizeste 15 km? Não falta aí uma vírgula?"), mas pronto, a gente foi indo, vamos ver as obras aqui e depois vamos ver a estrada nova dali e já agora vamos até acolá e voltamos pelo outro lado, e o google earth diz que, a brincar a brincar, fizemos 15000 metros. E eu acredito, que estou aqui que não me posso sentar por culpa de quase duas horas de esforço intensivo em cima daquele selim.