4.22.2012

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A culpa foi do GPS (ou "às tantas é por estas e por outras que de Bragança a Lisboa são 9 horas de distância...")


Ora bem, nos passados dias a minha pessoa fez-se à estrada, juntamente com dois belos pares de jarras (gosto muito de vocês, meninas), na sua primeira viagem à capital realizada ao volante. A minha experiência de condução em Lisboa era nula e, fora a condução, só conhecia caminho ali para a zona da 2ª circular ou do Parque das Nações. Mas pronto, munidas de um belo e brilhante sentido de orientação e de um telemóvel com GPS mas sem bateria, lá seguiram estas três tristes tigras de Coimbra City rumo à Travessa da Glória, numa viagem nocturna.

A coisa à entrada em Lisboa correu bem. À parte a selvajaria habitual dos automobilistas, seguimos facilmente desde a saída da A1 ali até à Fontes Pereira de Melo (ainda que tenhamos dado uma volta ou outra à Praça de Espanha e feito algumas inversões de marcha na Av. António Augusto de Aguiar, tudo culpa de um GPS que nos mandava seguir para sítios para onde aparentemente não podíamos - ou afinal até podíamos, constatação sempre posterior a ter saído da estrada principal).

Mas vá, após 5 minutos ali às voltas só para dar emoção à coisa, lá chegamos à Fontes Pereira de Melo. Relembro que o nosso destino era a travessa da Glória, logo ali pertinho dos Restauradores, mas, não seguindo pela saída que o GPS mandava porque aparentemente era para o bus e oh, afinal não era, vá lá uma pessoa ligar às marcas do chão!, acabei nem sei bem como por meter-me no túnel do Marquês ainda antes de chegar à rotunda. Ora e que coisa espectacular é que acontece nos túneis? O GPS perde sinal.

Então uma pessoa acaba por seguir o túnel até ao fim, ali entre a desorientação e a vontade de atirar o telemóvel pela janela. E até a coisa se organizar e se perceber que se enganou e que quer voltar para trás, não querendo sair em nenhuma saída que diga "A-qualquer coisa" antes que se meta em troço de auto-estrada e depois é um sarilho, segue Maria Joaninha, segue segue, até surgir o pânico de ver aquela bonita placa azul que diz "bem-vindo à auto-concessão da Lusoponte", e aí já não há GPS que acuda.

"Lusoponte...? Lusoponte... Mas isso é..."

(e começa a ver-se isto ao longe, a aproximar-se casa vez mais...)


(até se tornar nisto...)


 ... Mais ou menos ao mesmo tempo em que a pendura descobria que tínhamos acabado de ficar sem quarto. Um momento espectacular, portanto: uma pessoa em direcção à margem sul, tarde e a más horas, sem jantar e sem quarto. Mais uma iniciativa para tornar a viagem emocionante.

Lá saímos da ponte, andámos um bocado até termos a primeira possibilidade de voltar para trás em direcção a Lisboa e seguimos, pia fora, em profundo stress e com o estômago a roncar, sem sequer conseguirmos apreciar a vista nocturna da ponte sobre a capital. Vá que, com a ajuda do GPS-grevista-em-túneis, daí até ao Marquês foi um instantinho, só o tempo de eu dizer "ao menos não tive de me ir meter na rotunda do Marquês, tudo menos isso" e acabar por ir mesmo lá parar (e mais 3 vezes durante a estadia...), seguindo para a Avenida da Liberdade, finalmente, com a vontade de cortar os pulsos inerente à percepção de que tinha estado a menos de 50 metros daquela rotunda antes de entrar por engano no túnel e ter ido dar uma volta de, segundo o Google Earth, uns belos 20km.


A vermelho, o caminho que fizemos.
A verde, o que deveríamos ter feito.
Não sei como é que os meus pulsos resistiram a essa noite.

Mas as aventuras não ficaram por aí. A coisa até correu bem durante a estadia, parámos o carro sugadito num local perto da pensão e de estacionamento não pago (YEI! conseguido depois de andarmos às voltas à procura durante bem mais de meia hora), andámos de transportes públicos pela cidade, fizemos turismo gastronómico (dos meus favoritos), fomos de carro sem incidentes até Paço de Arcos assistir ao 5 para a meia noite e conseguimos o mesmo estacionamento à borlix quando voltámos, deixando de novo o carro parado e descansado até à hora de partida, hora essa de destino ao CCB, onde tínhamos estado nos últimos dois dias.

Mais uma vez, o telemóvel com pouca bateria a servir de GPS. Ainda não referi aqui, porque não foi o caso do primeiro engano que descrevi, mas o meu querido NDrive às vezes bate muito mal e manda-me para o sítio certo na localização errada, o que eu contorno a confirmar o roteiro e tirar pontos de referência. Pois confirmo. Quando a bateria do telemóvel não está nas últimas e eu não estou a rezar para o GPS se aguentar ligado.

Ora mas, dizia eu, pretendíamos ir a caminho do CCB, e para onde é que o dito cujo me manda? Para a direcção exactamente oposta, com direito a passagem na Luz para alegrar uma das viajantes e mesmo coladinho a Alvalade para alegrar esta lagartela e a sua pendura.


Portanto, mais uma vez, foi basicamente isto:
A verde: o caminho que devíamos ter feito.
A vermelho: o caminho que fizemos.

Só ressalvar que deixámos por fazer mais uma paragem do nosso percurso gastronómico para não nos atrasarmos para o que tínhamos a fazer no CCB. E chegámos atrasadas na mesma. Ora nem turismo gastronómico nem primeira parte do evento. Mas vá, aproveitámos para ir aos pastéis de Belém, que não ficam assim tão à frente das natas aqui da santa terrinha (as da Pingo de Mel, óbvio), e a aventura acabou por acabar (que pleonasmo magnífico) pacificamente, com um regresso a Coimbra sem percalços e com uma t-shirt Super do 5 para a meia noite na mala.


Ainda ninguém se deu ao trabalho de comentar...