4.01.2012

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Não temam, ainda estou viva. Não sei bem como, mas estou.


E quando não se morre do mal para se morrer da cura? Pois.
Eu cá resisti a Óbidos. Não morri disto



nem disto



e disto também não.




Mas ontem ia morrendo disto



que, segundo o google earth, foram 15 km a fazer a "Volta a Miranda City (e arredores) em bicicleta".

Ora eu, lontra convicta e assumida, resolvi que, agora que está um tempo fofinho e tal, está na altura de largar o sofá e mexer-me algo mais do que os 7 ou 8 metros entre a cama e o sofá, antes que o colesterol se me entupa as artérias.

Além disso, já me sentia mal de ter a minha querida Órbita, companheira de todos os dias da minha saudosa infância e vá, princípio de adolescência, a ganhar pó na arrumação de papai, sem lhe pegar há sei lá quanto tempo. Quer dizer, até sei mais ou menos quanto tempo (mais de dois anos ou assim): a última volta que dei foi uma célebre volta em que, algures no regresso, papai sai na cortada errada e depois para quê travar e voltar para trás, oh, os travões são para meninos salta da bicicleta em andamento. Sim, é do conhecimento geral que isso de parar é para cócós: os verdadeiros profissionais saltam da bicicleta e atiram-na com o caraças (eu provavelmente faria isso se me aparecesse algum aracnídeo no guiador). Eu e o Sócio estivemos ali uns 10 minutos sem conseguir parar de rir; até foi bom para os abdominais, que foi mesmo até doer a barriga. Mas eu, como aprendo rápido, interiorizei logo a importância de não usar os travões para não os gastar e depois, estando parada ali algures numa subida no meio do mato, esqueci-me de travar e desci de costas até bater num pinheiro. As nossas voltas de bicla eram autênticas aventuras. Ontem mesmo ia sendo atropelada por papai, que resolveu virar na minha direcção umas duas vezes.

Mas estava eu a dizer que não morri com uma overdose de chocolate no outro fim-de-semana, mas estou aqui morta de todo da volta de ontem. A sério, quem é que põe uma lontra que mal sai do sofá a pedalar 15km em duas horas? Logo nos primeiros 50 metros vi o caso muito mal parado, que se me começaram a dar umas dores nas pernas um bocadinho agrestes. O apêndice, com enorme fé, dizia-me que se eu conseguisse dar a volta ao quarteirão já não era mau ("Fizeste 15 km? Não falta aí uma vírgula?"), mas pronto, a gente foi indo, vamos ver as obras aqui e depois vamos ver a estrada nova dali e já agora vamos até acolá e voltamos pelo outro lado, e o google earth diz que, a brincar a brincar, fizemos 15000 metros. E eu acredito, que estou aqui que não me posso sentar por culpa de quase duas horas de esforço intensivo em cima daquele selim.

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JP disse...

Calúnias! Só calúnias... é o que é!
Os verdadeiros artistas da estrada (sejam alcatroadas, em terra batida ou simples trilhos íngremes na mata inexplorada), que usam as suas bikes para desarticular o esqueleto e "amanhar" o "sim-senhor" que anda prá'li kilómetro após kilómetro numa luta constante com um belo selim manhoso, não usam travões. Sim, porque alguns desses artefactos não passam de meros assessórios enfeitadores (há quem os tenha roxos, até, que côr mai linda!:) perfeitamente dispensáveis pelos pedaladores mais audazes que é como quem diz e parafraseando alguém que eu conheço: pela minha bela pessoa!
Mai nada red maria. Só usa travões... quem precisa... ou quem não sabe! Eh... Eh... Eh...
jinhos...

PS. prá próxima já há computador de bordo (se funcionar) que isto de andar a fazer medições no google dá uma trabalheira do tamanho do mundo:)